Vencedores


Apesar do cancelamento inesperado do 7º Curt’Arruda, não queremos deixar de parte a missão do festival enquanto plataforma de promoção do cinema e do trabalho de realizadores, produtores, técnicos e de todos aqueles que neste momento tão difícil, continuam a fazer filmes e a contribuir para a continuidade do cinema.


Neste sentido, e considerando que o júri – Maria João Luís, Pedro Florêncio e Vasco Gargalo – já tinha deliberado sobre os filmes a concurso, mesmo que não tenham sido exibidos na sua totalidade, o Curt’Arruda faz questão de, ainda assim, atribuir o Prémio Curt’Arruda.

O júri decidiu atribuir o Prémio Curt’Arruda – Melhor Curta-metragem Rural ao filme A Vendedora de Lírios” de Igor Galuk.  – “Em A Vendedora de Lírios, a grande surpresa desta programação, tomamos contacto com uma das mais portentosas origens do cinema, na qual o real e os enquadramentos se relacionam como num jogo de corpo a corpo. Neste filme, que é simultaneamente um documento precioso e uma aventura lírica de todos os dias, assistimos à lenta marcha de um jogo cénico do real, no qual a inversão de olhares entre duas gerações culmina num fraterno gesto de cuidado, como nas mais comoventes imagens herdadas dos melhores neo-realismos. Filme feito de rostos, pessoas e gestos — em suma, de índices do real —, é na sua sublime quotidianidade que se sustentam inesquecíveis imagens, sobretudo pela — e não apesar da — sua depuração e simplicidade narrativa.”

O júri destacou ainda o filme ELO” de Alexandra Ramires (Xá) com uma Menção Honrosa. –  “Já em Elo, o mundo e as coisas que conhecemos — ou julgamos conhecer — surgem transfiguradas numa surpreendente dialéctica entre a maravilha e o assombro de um mundo nocturno desconhecido. Feito da mistura de coisas que ora percebemos, ora julgamos perceber, é no (in)orgânico gesto de ligação entre dois seres (para citar uma também bela e obscura obra de Carl Dreyer) que todas as distâncias naturais‘ se diluem. Talvez mais do que um exercício de surrealismo, este objecto anti-naturalista por excelência constrói, através dos elementos de uma enorme criatividade temática e formal, uma valiosa ponte de acesso à necessária e urgente sensação de familiarização com a estranheza do Outro.”

“Os dois filmes premiados aproximam-se mais do que à primeira vista pode parecer. Ambos constatam, directa ou indirectamente, a dureza da crise social e humana que enfrentamos — ou, quem sabe, que nunca deixámos nem deixaremos de ter de enfrentar. Em ambos os universos — o diurno e o nocturno — é de sobrevivência que se fala. Em tempos de fronteiras, muros e outras modalidades emergentes de distância social, estes dois filmes aparentemente diferentes, mas na verdade tão complementares, formam os dois lados de uma mesma moeda que o cinema ainda tem o poder de pôr em circulação. Uma moeda forjada pelos gestos do cuidado e do reconhecimento com o Outro — um cinema da comunhão.”

Agradecemos a participação de todos os realizadores e ao júri por todo o contributo para mais uma edição do festival.


Devido a razões externas à organização e por indicação do delegado de saúde local, fomos infelizmente obrigados a cancelar a 7ª Edição do Festival Curt’Arruda.

O nosso primeiro objetivo, enquanto organização, é garantir a segurança e a saúde de todos os nossos espectadores, realizadores, voluntários e parceiros, e nesse sentido lamentamos que tenhamos de cancelar a 7ª edição, apesar de termos garantido todas as condições de segurança e higiene.
As nossas sinceras desculpas.

Até breve.

A Equipa Curt’Arruda

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