
Mesas Redondas, Apresentação do Festival e Concerto LOT
Mesa Redonda “Ativismo pela Arte” – parceria com o Fórum Intervenção
Moderador: Carlos Alves
Convidados: Sara Eugénio, Susana Anágua, Vasco Gargalo
Mesa Redonda “A ruralidade no Cinema e nas Artes”
Moderador: João Pedro Cavaco
Convidados: Ana Raquel Machado, David Santos, Paulo Câmara




Diz-se que começar um texto com uma citação é a tradução de uma mente débil para pensamentos livres. Como tal, não o irei aqui fazer. Pois se assim fosse, estaria a trair a própria essência do que motiva estas breves palavras.
Falaremos de cinema. De criação. Do plasmar em imagens o que abraça conceitos e sensações, poesia e agonia, tristeza e alegria. Falamos de ver o efémero, tanto quanto o de observar o perpétuo. A sétima arte é metáfora da velocidade. Sinónimo de um mundo que, na sua constante mutação, se integra numa depurada esquizofrenia dos sentimentos, incapaz de se autorizar a simplesmente parar. Contudo, encontra, a espaços e por vezes de forma inesperada, uma ferramenta que nos obriga a estar. A simplesmente estar. Cumprimos, de forma inconsciente, o papel de um distante voyeur. Invadimos a mente de personagens fictícias, que nos convidam a viagens; caminhamos numa outra realidade; descobrimos novos mundos; escutamos outros sons, pintamos outras telas.
Palcos que nos carregam em introspeções.
Veículos que nos libertam do quotidiano.
Robert Bresson dizia que o cinema abraça a escrita em movimento. Mas não é só. Conserva em si a capacidade de nos fazer sonhar. E como é importante não o deixar de fazer. O cinema, não raras vezes, deixa-nos admirar com espanto mundos mais de acordo com os nossos desejos. Tanto quanto nos mostra cruéis realidades, ou como nos coloca em confronto com o que de mais íntimo possuímos. Não se esquiva também a parodiar o real, não temendo a hipérbole visual, tampouco se desliga da mediocridade criativa. No fundo, o cinema é somente humano.
No entanto, é também produto de visões específicas. Dos seus criadores. Dos seus protagonistas.
Da coragem, loucura e da ousadia. Neste pressuposto, como não aplaudir aqueles que, com maior ou menor afinco, se dedicam à dinâmica de uma pequena estória? Aqueles que, reduzindo o tempo da sua escrita em movimento, nos mantém ligados à multitude de sensações e sentimentos da sétima arte?
Sim, são curtas, senhores. Curtas-metragens que, sem recusar pretensão, se de nem como a melhor das traduções deste estágio civilizacional em que nos encontramos. Nelas se aglomeram e digladiam o corpus emocional e sensorial que define o cinema, condensado o tempo, de modo a que consigamos, de forma mais perene, não desligar deste(s) mundo(s) a que somos convidados a entrar. São pequenas pontes, que porventura de forma mais imediata e frontal, nos concedem um espelho: de uma sociedade que se tenta constantemente interpretar, e que nos projecta na moldura de um espelho, que, não amiúde, escolhemos não olhar.
E são também nestes pequenos momentos fragmentados da realidade, seja ela onírica ou factual, que percebemos constantemente, o porquê do cinema sonoro ter inventado o silêncio. Quantas são as curtas que se fazem somente de poesia silenciosa? Quantas serão aquelas que nos despertam para uma filosofia do quotidiano, simplesmente por nos mostrarem a sua beleza escondida defronte dos nossos olhos? Quantas vimos já que tanto nos mostram o horror e a comédia da condição humana? Quantas já nos emocionaram? A quantas já fomos indiferentes? E quantas já aplaudimos, impávidos, e, simultaneamente, em discreto agradecimento por terem conseguido mostrar tanto em tão pouco?
Aplaude-se então a permanência deste Festival.
De mais uma edição de um projeto, fruto de uma visão arriscada, mas indubitavelmente ousada, temerária e (porque não dizê-lo?) com uma saudável dose de loucura, aquela que, encontrando-se no ponto certo, cria a memória do eterno.
Arruda dos Vinhos recebe novamente uma iniciativa que constantemente se reinterpreta. Ganha em disciplina o que se moldou na coragem. Cresce na ambição, não deixando de abraçar a genuinidade que lhe deu a forma inicial. Sustenta-se na própria escala do território que a alberga, abrindo cada vez mais os seus braços para que a realidade dê lugar a outros sonhos.
Aplaude-se então a persistência dos seus criadores, tanto quanto a crença daqueles que, ano após ano, se juntam a uma equipa que concede uma nota de superação cultural de uma pequena vila que não se amedronta. Faz-se grande. Porque quer-se grande. Sem vedetismos. Mantendo-se genuína.
Aplaude-se, então e de pé, a 4ª edição do Festival Curt’Arruda, o resultado da tenacidade e da crença e que, tal como o cinema, continua focado naquilo que a imaginação lhe consegue extrair.
A conclusão deste texto? Não existe. Nem poderia existir, pois reporta-se ao cinema, que, tal como disse Orson Wells, “…não tem nem fronteira nem limites. É um luxo contínuo de sonho”.
Gustavo Val-Flores

Leonor Noivo

Inês Lourenço

Luís Mendonça

Paulo Viveiros



Câmara Municipal de Arruda dos Vinhos
André Agostinho
Joel Rodrigues
Curt’Arruda
Joana Ricardo
Lara Almeida
André Agostinho
Filipa Figueiredo
Joel Rodrigues
Diogo Bruno
Filipa Figueiredo
Joel Rodrigues
André Agostinho
Ana Margarida Mouralinho
Joana Ricardo
João Pedro Cavaco
Filipa Figueiredo
João Pedro Cavaco
Sílvia Matias (design)
Reetra Ek (ilustração)
Curt’Arruda
Flávio Freixo
Filipa Figueiredo
João Pedro Cavaco
Lara Almeida
Cátia Francisco
Ana Margarida Mouralinho
Filipa Figueiredo
Rodolfo Filipe
Lara Almeida
Ana Maria Rodrigues
Ana Maria Serreira
Ana Raquel Machado
André Pombo
António Duarte
Bernardo Dias
Célia Martins
Diogo Bruno
Gonçalo Soares
João Gama
Luís Carvalho
Rodrigo Cortez
Rui “Ruca” Correia
Saúl Silva

















