5ª EDIÇÃo

12, 13 e 14 de outubro, 2018

A ARTE DE SONHAR  

Fiquei surpreendido quando um dos responsáveis pelo evento me convidou para escrever o texto que introduz o catálogo de 2018 deste já grandioso festival de cinema. Surpreendido… porque sou apenas um espetador, nada percebendo quase nada desta arte que alguns apelidam de sétima. Mas aceitei de imediato, não tendo, na altura, compreendido a razão.

No caminho para casa, o pensamento que me assaltava, talvez para me convencer de que tinha decidido bem, era que nunca poderia ter recusado por várias razões: primeiro, porque conheço todos os responsáveis do Curta desde pequenos, a maioria é da idade do meu filho mais velho, nutrindo por eles muito afeto e consideração; depois, porque as quatro edições anteriores foram uma agradável surpresa pelo risco, criatividade e qualidade; também porque é uma iniciativa que nasceu na minha amada terra, tendo sido logo abraçada pela autarquia e por uma população que cada vez mais adere a este espetáculo de três intensos dias; e, finalmente, porque há um ano que pretendo contradizer o autor do belíssimo texto que introduziu o catálogo da 4.ª edição do Curt’Arruda, o meu amigo e ex-aluno Gustavo Val-Flores.

Disse ele que “(…) começar um texto com uma citação é a tradução de uma mente débil para pensamentos livres.” Pois bem, caro Gustavo, a minha mente livre “moldada de coragem” discorda desse princípio e, por isso, iniciará este texto com uma citação de alguém que admira e cujo espírito criativo e competente é tão grande como o dos rapazes e raparigas que tiveram a audácia de pensar que seria possível realizar um festival de cinema rural em Arruda dos Vinhos.

Ora, determinou o citado autor que “A sétima arte é a metáfora da velocidade. Sinónimo de um mundo que, na sua constante mutação, se integra numa depurada esquizofrenia dos sentimentos, incapaz de se autorizar a simplesmente parar” (Gustavo Val-Flores, Catálogo da 4.ª edição do Curt’Arruda, 2017). Portanto, falamos de poesia, de um outro lado da poesia, porque também tem silêncios, memórias, eternidades, coragem, emoções, ritmos, sonhos, mutações e realidades sentidas e vividas de outras formas, em que o divergente toma o lugar do comum existir. Enfim… vida, vida constante “incapaz de se autorizar simplesmente a parar”. Assim é o cinema, assim somos nós (ou devíamos ser), em que o sonho não tem limites, é um fluxo constante (Orson Welles).

E enquanto uns sonham, fazendo com que outros sonhem, são acordados alvoroços e reveladas emoções,  cujo resultado nos parece às vezes contraditório. Por que razão não choramos apenas quando há tristeza? Por que razão sentimos um grito fechar-se quando todos os sonhos de vida de um protagonista morrem no ecrã? Por que razão aprendemos a pensar que a vida é o ponto de vista do guionista, do realizador… Aquela vida está à distância de uma outra pergunta: A nossa vida também daria um filme? Talvez o cinema possa ser a concretização de todas as vidas imaginadas, tornadas possível. E enquanto tudo isto vai acontecendo, o espetador apodera-se da obra, torna-a sua, mas só porque a obra se torna superior a tudo aquilo que esperava que viesse a acontecer. Assim é o cinema. Assim pode ser a vida.

Falar de um festival de cinema rural também é falar de público… desculpem, de espetadores! Não vá o mestre acordar e, publicamente, chamar-me à razão, perante os espetadores do Curt’Arruda, de que “(…) públicas são as cadeiras do cinema; são públicas. Agora, as pessoas que se sentam nelas são pessoas, verdadeiramente pessoas, e cada uma é distinta da outra” (Manoel de Oliveira, Diário de Notícias, 2011). Cada espetador completa o sonho inacabado dos autores que ousaram criar o espetáculo. No cinema, o único espetador impassível é aquele que não vê cinema. Por isso, o que vê espera ser respeitado, desafiado e seduzido, assim como o autor se respeitou, desafiou e foi seduzido ao criar a obra. E é este respeito pelos espetadores que se tem sentido por parte dos organizadores deste festival. Mais, é este respeito pela sua terra, levando o seu nome a outras terras, que também me tem feito refletir sobre a importância das autarquias no apoio às ideias e iniciativas dos jovens.

O caminho é difícil, às vezes muito difícil, mas a virtude está em tentar: “Um cheiro passa, uma nuvem desfaz-se e – um sonho? é muito mais imponderável, insubsistente, muito mais rapidamente dissipável que o cheiro e a nuvem. Mas tentemos” (Irene Lisboa, Solidão II, 1974). Tentemos… sempre, sempre.

Assim tem sido este festival de cinema rural a que os autores chamaram com mestria Curt’Arruda, não esquecendo, talvez em jeito de homenagem, respeito e muito orgulho, a vila que os viu nascer, que viu nascer este desafio.

E agora não é a razão que vos fala, mas o coração… Voem, voem! Vocês são filhos da terra dos sonhos. Eu cá estarei com muitas lágrimas nos olhos, não de tristeza, mas de orgulho, alegria e vontade de vos ver desejar a serem daqui, do mundo e voltarem a ser daqui, do Vale Encantado, de Arruda dos Vinhos.

Jorge da Cunha

CICLO REALIZADOR CONVIDADo

DAVID DOUTEL E VASCO SÁ

David Doutel

David Doutel nasceu no ano de 1983 na cidade do Porto. Licenciou-se em Som e Imagem pela Universidade Católica do Porto com especialização em Animação. Nos últimos 10 anos desenvolveu o seu percurso no cinema de animação de autor, trabalhando como realizador, animador e director de produção. Parte integrante de equipas artísticas e de produção, contribuiu para a criação de inúmeras curtas-metragens de animação premiadas e seleccionadas regularmente em festivais internacionais de cinema. Colabora desde o início do seu percurso com Vasco Sá com quem partilha a experiência de realização de 3 curtas-metragens de animação: O Sapateiro (2011), Fuligem (2014) e mais recentemente Agouro (2018), uma co-produção entre Portugal e França. Tem colaborado com a produtora Bando à Parte desde 2011, onde em conjunto com Vasco Sá tem sido responsável pela direcção de produção de animação.

Vasco Sá

Vasco Sá nasceu no Porto em 1979. De raízes transmontanas, passa os seus primeiros dezoito anos em Trás-os-Montes, mudando-se então para o Porto, onde se licencia em Som e Imagem pela Escola das Artes da Universidade Católica Portuguesa. Neste contexto conhece David Doutel, com quem tem partilhado vários projectos no universo do Cinema de Animação, nomeadamente a realização das curtas-metragens O Sapateiro (2011, PT/ES) e Fuligem (2014, PT) – distinguidas com vários prémios a nível nacional e internacional – e de Agouro (2018, PT/FR), o mais recente trabalho. Para além deste percurso no âmbito da realização, tem integrado a equipa de diversos projectos cinematográficos de diferentes autorias, tanto na vertente artística como na de produção. Colabora, desde 2011, com a produtora Bando à Parte, onde exerce funções de realização e direcção de produção, conjuntamente com David Doutel. Gosta de ver os montes à sua frente.

 

Júri

FILOMENA CAUTELA

Nasceu em 1984. Actriz e apresentadora de televisão.

Iniciou a carreira em 2001 com a peça Antígona, encenação do professor Paulo Vaz (Externato Marista de Lisboa), encenador que em 2002 voltou a dirigi-la em Se o Amor For Outra Coisa, de Pedro Paixão. Ainda no teatro, A Noite dos Assassinos, encenada por António Pires, Agosto em Osage, encenada por Fernanda Lapa, Janis e a Tartaruga e Mil Olhos de Vidro, de Luísa Pinto, O Libertino de José Fonseca e Costa, O Dia dos Prodígios de Cucha Carvalheiro, Ilhas e Convento da KARNART, O Solene Resgate e Menos Emergências do Teatro do eléctrico entre muitas outras.

No cinema participou em curtas-metragens como Night Shop e O Destino do Sr. Sousa de João Constâncio e em longas metragens como Viúva Rica Solteira Não Fica, longa-metragem de José Fonseca e Costa, Linhas de Sangue de Sérgio Graciano e Manuel Pureza, entre outras.

Em televisão, participou em BocageMundo Meu, A VingançaConta-me Como Foi ou Cidade Despida e inumeras séries da SIC, TVI e RTP.

Protagonizou dobragem em inúmeros filmes de animação e locução.

Foi a primeira VJ Feminina da MTV Portugal.

Na RTP2 fez o programa Fá-las Curtas, o magazine cultural Agora  e fez parte do elenco residente do Vale Tudo

Em 2015, regressou à apresentação do talk-show da RTP1, 5 Para a Meia-Noite onde se mantém até hoje.

Em 2018 apresentou a final do Festival da RTP da Canção 2018, na RTP e o Festival Eurovisão da Canção 2018.

PATRÍCIA VASCONCELOS

Nasceu em Lisboa em 1966 e viveu fora do país entre 1976 e 1988. Lança-se como “Casting Director” em 1989. É responsável pelo casting de inúmeros filmes, nacionais e estrangeiros, programas e séries para a televisão, bem como de mais de uma centena de filmes publicitários. Em cinema, trabalhou com inúmeros realizadores tais como: Marco Martins (“Alice”), Raul Ruiz (“Mistérios de Lisboa”), Joaquim Leitão (“A esperança está onde menos se espera”), António-Pedro Vasconcelos (“A Bela e o Paparazzo”), Luís Filipe Rocha (“Sinais de Fogo”), Carlos Silva e George Sluizer (“Mortinho por Chegar a Casa”), Richard Curtis (“Love Actually”), Leonel Vieira (“Zona J)”, Patrice Chereau (“La Reine Margot”), Carlos Coelho da Silva (“O Crime do Padre Amaro”), entre outros.

Em televisão destaca-se o seu trabalho para os telefilmes da SIC, entre outros: “Amo-te Teresa”, “Facas e Anjos”, “Mustang”, “Alta Fidelidade”, “Lampião da Estrela”, “Aniversário”, etc… Ultimamente tem, em parceria com a RTP, realizado castings das séries e telefilmes: “Inspector Max” , “Conta-me Como Foi”,  “O Mistério da Estrada de Sintra”, “1986”, entre outras.

Ao longo dos anos tem sido convidada a ensinar Técnicas de Casting na Escola Superior de Teatro e Cinema, Academia Contemporânea do Espectáculo no Porto, e diversas agências de manequins. No verão de 2000 organizou juntamente com Elsa Valentim os Act – Workshops Iniciação às Técnicas do Actor para Cinema e Televisão, iniciativa essa que deu origem à ACT – Escola de Actores fundada em 2001.

Em 2010 realizou o seu primeiro documentário sobre Raul Solnado, para a RTP. Autora e apresentadora do programa televisivo “Sei Quem Ele É”, transmitido pela RTP1 em 2016.

É fundadora e membro da Direcção da Academia Portuguesa de Cinema, onde, entre outras iniciativas, criou e desenvolveu o projecto Passaporte,  cuja segunda edição decorreu em 2017, dando a conhecer os actores portugueses a reconhecidos casting directors de todo o mundo.

É, desde 2016, membro da Casting Society of America (CSA).

RODRIGO OLIVEIRA

Nasceu em 1978, Sintra. Vive e trabalha em Lisboa. Licenciatura em Artes Plásticas – Escultura na Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa (1997/2003) e mestrado no Chelsea College of Art & Design, Londres (2006). Em 2013 vence a bolsa de estudo da Fundación Botin, Santander/Madrid, Espanha.

Expõe individualmente desde 2003 de onde se  destacam: Utopia /Distopia Part II _  MAAT Museu, Lisboa (2017); De lá Ville à  lá Villa:  Chandigarh Revisited,  Le Corbusier  Villa  Savoye  Poissy,  Paris (2016); ESPLANADE: Utopia at plateau and an indian Brasília, Galeria Filomena Soares, Lisboa (2016); Projecto Parede, no MAM – Museu de Arte Moderna de São Paulo (2013); Coisas de Valor e o Valor das Coisas, no Cosmocopa – Arte Contemporânea, no Rio de Janeiro (2011); A primeira pedra (e todas as outras mais), no Museu do Chiado, Lisboa (2011).

Participou em diversas exposições coletivas, tais como: Cor+Labor+Ação, Caza Arte Contemporânea, Rio de Janeiro (2011); ResPública 1910 – 2010 face a face, Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa (2010); A Culpa Não é Minha, Museu Berardo, Lisboa (2010); Where are you From? Contemporary Portuguese Art, Faulconer Gallery, Grinnel, Iowa, USA (2008); Eurobuz, Agorafolly – Europália European Festival, Place de la Chapelle, Brussels (2007); and There’s no place like home, Homestead Gallery, Londres (2006).

O seu trabalho encontra-se presente em diversas colecções públicas: Fundação EDP; Museu do Chiado; Fundação PLMJ (Lisboa); Coleção PCR (Lisboa); Coleção António Cachola (Elvas); e Peggy Guggenheim Museum (Veneza).

Curt'arruda escolas

Alunos do Externato João Alberto Faria e Escola Profissional Gustave Eiffel – Auditório Municipal – 12 de outubro, 09h00

AO TELEFONE COM DEUS – Vera Casaca, Portugal, 2017, fic, 13’ | 12 de outubro, sex, 09h00
EM MEMÓRIA – Amit Miretzky, Israel, 2018, ani, 3’ | 12 de outubro, sex, 09h00
LUGAR EM PARTE NENHUMA – Bárbara de Oliveira e João Rodrigues, Portugal, ani, doc, 6’ | 12 de outubro, sáb, 09h00
VISTA DO VAZIO – Ali Zare Ghanatnowi, Irão, 2017, ani, 18’ | 12 de outubro, sáb, 09h00

A MONSTRA NO CUT’ARRUDA ESCOLAS

Alunos do Ensino Básico das Escolas do Concelho – Auditório Municipal – 12 de outubro, 10h00 e 11h00

A CAIXA – Merve Cirisoglu Cotur, Reino Unido, 2016, ani, 7’
CANTO – Lucija Mrzljak, Estónia, 2016, 2’
GENO – Dato Kiknavelidze, Geórgia, Alemanha, 2017, ani, 13’
DEIXA UMA MARCA – Christina S. Nerland, Reino Unido, 2016, 5’
PEQUENOS SOLDADOS – Pauline Champetier, Dinamarca, 2016, 1’
SAFARI – Erica Gualandi, Reino Unido, 2017, 3’
MÍMICA – Petra Varga, Hungria, 2016, 4’
O HORIZONTE DE BENE – Jumi Yoon and Eloic Gimenez, França, 2016, 13’

Curt'Arruda em família

Auditório Municipal – 13 e 14 de outubro, sáb e dom, 11h30

SESSÃO PARA OS MAIS JOVENS

A GRUTA DE DARWIN – Joana Toste, Portugal 2017, ani, 13’ | 13 de outubro, sáb, 11h30
EM MEMÓRIA – Amit Miretzky, Israel, 2018, ani, 3’ | 12 de outubro, sex, 09h00
LUGAR EM PARTE NENHUMA – Bárbara de Oliveira e João Rodrigues, Portugal, ani, doc, 6’ | 12 de outubro, sáb, 09h00
MÃOS FRIAS CORAÇÃO QUENTE – Pedro Caldeira e Paulo Graça, Portugal, 2017, fic, 6’ | 13 de outubro, sáb, 11h30
ONDAS – Vojtěch Domlátil, Républica Checa, 2017, exp, | 13 de outubro, sáb, 11h30
VISTA DO VAZIO – Ali Zare Ghanatnowi, Irão, 2017, ani, 18’ | 12 de outubro, sáb, 09h00

A MONSTRA NO CURT’ARRUDA

AVÓ – Roza Kolchagova, Bulgária, 2017, ani, 6’ | 14 de outubro, dom, 11h30
BaDaBoo: A VIAGEM DE BARCO – Glenn D’Hondt e Karin Rhellam, Bélgica, 2017, ani, 7’ | 14 de outubro, dom, 11h30
BIG ENCONTRA UM TROMPETE – Dan Castro, Reino Unido, 2017, ani, 5’ | 14 de outubro, dom, 11h30
DOIS ELÉTRICOS – Svetlana Andrianova, Rússia, 2016, ani, 10’ | 14 de outubro, dom, 11h30
ESPAÇO NEGATIVO – Max Porter e Ru Kuwahata, França, 2017, ani, 6’ | 14 de outubro, dom, 11h30
O PASSARINHO E A LAGARTA – Lena von Döhren, Suíça, 2017, ani, 5’ |14 de outubro, dom, 11h30
TERRA SEM MAL – Katalin Egely, Hungria, Alemanha, 2017, ani, 4’ | 14 de outubro, dom, 11h30

SELEÇÃO OFICIAL CURT’ARRUDA

12 e 13 de outubro – 21h30

DE GENTE SE FEZ HISTÓRIA – Inês Vila Cova, Portugal, 2017, doc. 20’ | 12 de outubro, sex. 21h30
DE GENTE SE FEZ HISTÓRIA – Inês Vila Cova, Portugal, 2017, doc. 20’ | 12 de outubro, sex. 21h30
DOMESTICADO – Juan Francisco Viruega, Espanha, 2018, fic. 17’ | 12 de outubro, sex. 21h30
DOMESTICADO – Juan Francisco Viruega, Espanha, 2018, fic. 17’ | 12 de outubro, sex. 21h30
FLORES – Jorge Jácome, Portugal, 2017, fic, 26’ | 13 de outubro, sáb. 21h30
FLORES – Jorge Jácome, Portugal, 2017, fic, 26’ | 13 de outubro, sáb. 21h30
HISTÓRIAS DE LOBOS – Agnes Meng, Portugal, 2018, doc. 20’ | 12 de outubro, sex. 21h30
HISTÓRIAS DE LOBOS – Agnes Meng, Portugal, 2018, doc. 20’ | 12 de outubro, sex. 21h30
NA CINZA FICA CALOR – Mónica Martins Nunes, Cabo Verde, Portugal, Alemanha, 2017, doc. 21’ | 13 de outubro, sáb. 21h30
NA CINZA FICA CALOR – Mónica Martins Nunes, Cabo Verde, Portugal, Alemanha, 2017, doc. 21’ | 13 de outubro, sáb. 21h30
O HOMEM ETERNO – Luís Costa, Portugal, 2017, doc, 15’ |13 de outubro, sáb, 21h30
O HOMEM ETERNO – Luís Costa, Portugal, 2017, doc, 15’ |13 de outubro, sáb, 21h30
POR TUA TESTEMUNHA – João Lupo, Portugal, 2018, fic. 18’ |12 de outubro, sex, 21h30
POR TUA TESTEMUNHA – João Lupo, Portugal, 2018, fic. 18’ |12 de outubro, sex, 21h30
OS ANOS – Jeanne Traon Loiseleux, França, 2017, fic, 29’ | 13 de outubro, sáb, 21h30
OS ANOS – Jeanne Traon Loiseleux, França, 2017, fic, 29’ | 13 de outubro, sáb, 21h30

SELEÇÃO OFICIAL film’ARRUDA

14 de outubro, 18h30

HISTÓRIAS DA CASA DAS BONECAS – Carolina Roque Ribeiro, Portugal, 2018, doc, 15’ | 14 de outubro, dom, 18h30
HISTÓRIAS DA CASA DAS BONECAS – Carolina Roque Ribeiro, Portugal, 2018, doc, 15’ | 14 de outubro, dom, 18h30
NO ÂNGULO – Rui Correia, Portugal, 2018, fic, 10’ | 14 de outubro, dom, 18h30
NO ÂNGULO – Rui Correia, Portugal, 2018, fic, 10’ | 14 de outubro, dom, 18h30
PORQUE ME TRANSPORTAS? – Turma 461 Escola Profissional Gustave Eiffel de Arruda dos Vinhos, Portugal, 2018, fic, 4’ | 14 de outubro, dom, 18h30
PORQUE ME TRANSPORTAS? – Turma 461 Escola Profissional Gustave Eiffel de Arruda dos Vinhos, Portugal, 2018, fic, 4’ | 14 de outubro, dom, 18h30
THE HOLE OF LIFE – David Santos, Portugal, 2018, fic, 12’ | 14 de outubro, dom, 18h30
THE HOLE OF LIFE – David Santos, Portugal, 2018, fic, 12’ | 14 de outubro, dom, 18h30
TÓ BARÃO – Luís André Ramos, Portugal, 2018, fic, 5’ | 14 de outubro, dom, 18h30
TÓ BARÃO – Luís André Ramos, Portugal, 2018, fic, 5’ | 14 de outubro, dom, 18h30
UNIVERSIDADE GERAÇÕES COM AMOR – Danielle Souza, Portugal, 2018, doc, 8’ | 14 de outubro, dom, 18h30
UNIVERSIDADE GERAÇÕES COM AMOR – Danielle Souza, Portugal, 2018, doc, 8’ | 14 de outubro, dom, 18h30

mostra

12, 13 e 14 de outubro

A COR DA SEDE – Gala Gracia, Espanha, 2017, fic, 22’ | 12 de outubro, sex, 18h30
A COR DA SEDE – Gala Gracia, Espanha, 2017, fic, 22’ | 12 de outubro, sex, 18h30
A SONOLENTA – Marta Miro, Portugal, 2017, ani, 10’ | 14 de outubro, dom, 16h30
ARMINDO E A CÂMARA ESCURA – Tânia Dinis, Portugal, 2017, doc, fic, 20’ | 12 de outubro, sex, 18h30
ARMINDO E A CÂMARA ESCURA – Tânia Dinis, Portugal, 2017, doc, fic, 20’ | 12 de outubro, sex, 18h30
BENJAMIM – Ana Margarida Coelho, Portugal, 2018, fic, 10’ | 12 de outubro, sex, 18h30
BENJAMIM – Ana Margarida Coelho, Portugal, 2018, fic, 10’ | 12 de outubro, sex, 18h30
COUP DE GRÂCE – Salomé Lamas, Portugal, 2017, fic, 25’ | 14 de outubro, dom, 16h30
COUP DE GRÂCE – Salomé Lamas, Portugal, 2017, fic, 25’ | 14 de outubro, dom, 16h30
ENTRE LUTOS – Laura Rembault, França, 2016, fic, 15’ | 12 de outubro, sex, 16h30
ENTRE LUTOS – Laura Rembault, França, 2016, fic, 15’ | 12 de outubro, sex, 16h30
LARANJA AMARELO – Pedro Augusto Almeida, Portugal, 2017, fic, 10’ | 12 de outubro, sex, 16h30
MAÇÃS AMARELAS – Ignacio Ruiz, Chile, 2014, fic, 20’ | 12 de outubro, sex, 18h30
MAÇÃS AMARELAS – Ignacio Ruiz, Chile, 2014, fic, 20’ | 12 de outubro, sex, 18h30
MADNESS – João Viana, Portugal, França, Guiné, Moçambique, Qatar, 2018, fic, 13’ | 14 de outubro, dom, 16h30
MADNESS – João Viana, Portugal, França, Guiné, Moçambique, Qatar, 2018, fic, 13’ | 14 de outubro, dom, 16h30
MAPA-ESQUISITO – Jorge Vaz Gomes, Portugal, doc, 22’ | 12 de outubro, sex, 16h30
MAPA-ESQUISITO – Jorge Vaz Gomes, Portugal, doc, 22’ | 12 de outubro, sex, 16h30
O QUARTO CORPO – Agustina Grillo e Manuela Gamboa, Argentina, fic, 11’ | 14 de outubro, dom, 16h30
O QUARTO CORPO – Agustina Grillo e Manuela Gamboa, Argentina, fic, 11’ | 14 de outubro, dom, 16h30
OS HUMORES ARTIFICIAIS – Gabriel Abrantes, Portugal, 2017, fic, 29’ | 14 de outubro, dom, 16h30
OS HUMORES ARTIFICIAIS – Gabriel Abrantes, Portugal, 2017, fic, 29’ | 14 de outubro, dom, 16h30
RUSSA – João Salaviza, Portugal, Brasil, doc, fic, 20’ | 13 de outubro, sáb, 16h30
RUSSA – João Salaviza, Portugal, Brasil, doc, fic, 20’ | 13 de outubro, sáb, 16h30
SLEEPWALK – Filipe Melo, Portugal, E.U.A., 2018, fic, 15’ | 13 de outubro, sáb, 16h30
SLEEPWALK – Filipe Melo, Portugal, E.U.A., 2018, fic, 15’ | 13 de outubro, sáb, 16h30
SURPRESA – Paulo Patrício, Portugal, 2017, ani, doc, 9’ | 13 de outubro, sáb, 16h30
SURPRESA – Paulo Patrício, Portugal, 2017, ani, doc, 9’ | 13 de outubro, sáb, 16h30
VIRA CHUDNENKO – Inês Oliveira, Portugal, 2017, doc, 30’ | 13 de outubro, sáb, 16h30
VIRA CHUDNENKO – Inês Oliveira, Portugal, 2017, doc, 30’ | 13 de outubro, sáb, 16h30
TERRA BESTA – Hugo Magro, Portugal, 2017, doc, 9’ | 12 de outubro, sex, 16h30
TERRA BESTA – Hugo Magro, Portugal, 2017, doc, 9’ | 12 de outubro, sex, 16h30

concertos

(DES)ENCONTRÓTOPIA

Tiago Costa

15 set – 15 out 2018

É com enorme prazer que o Curt’Arruda volta a apresentar uma exposição de fotografia, desta vez com uma proposta mais arrojada. Apostamos num fotógrafo amador de Arruda dos Vinhos, Tiago Costa, e concretizamos nesta edição a sua primeira exposição individual.

“O desconhecido é o que não tem, ainda, uma imagem.”

Bernardo Pinto de Almeida

(DES)ENCONTRÓTOPIA leva-nos por diversas geografias do mundo, num movimento constante de aproximação a pessoas que na sua vida quotidiana nos guiam, e com as quais nos (des)encontramos nesta viagem.

Tiago Costa apodera-se da rua, toma-a como um espaço de liberdade e deixa-se levar pelos múltiplos caminhos de (des)encontros que ela lhe oferece. É um fotógrafo em, e à procura do movimento. É nesta procura que a fotografia nos permite uma aproximação ao outro, dando-nos a conhecer pormenores da sociedade que de outra forma continuariam invisíveis. Neste movimento incessante, toma lugar uma infinita arbitrariedade no olhar do fotógrafo, pois são muitos os instantes e os acasos possíveis. Estes (des)encontros fortuitos não chegam a permitir a natural artificialidade causada pela simples presença da câmara fotográfica. São milésimos de segundo que nos dão a experiência e a vivência do mundo real.

A grande maioria das fotografias apresentadas nesta exposição foram registadas em viagens de férias. Tiago Costa interessa-se especialmente por documentar os acontecimentos da vida social de pessoas que parecem pertencer a um outro mundo, que “pararam no tempo”, pessoas excêntricas ou marginais. Esta temática tem uma longa tradição na história da fotografia e evoca nomes como Richard Sandler, William Klein (na sua forma e atitude “in your face”), Robert Frank ou Diane Arbus. Mas quem são estas pessoas e para onde vamos com elas? Essa dúvida e estranheza associadas, em (DES)ENCONTRÓTOPIA, causam um certo incómodo e um constante questionar sobre os momentos que antecedem e precedem a captura dessa realidade pelo obturador. Há no trabalho de Tiago um descontruir do conceito utópico de “fotografia de férias”. Não lhe interessam os lugares bonitos ou as fotografias “cliché”, mas sim a realidade social dos locais que visita, locais muitas vezes degradados, talvez distópicos.

Na tentativa de trazer toda esta ideia de estranheza, de aproximação, de movimento e (des)encontro com o outro, propomos que o visitante percorra o espaço expositivo, disposto de forma labiríntica com paredes de canas, (elemento protector segundo a simbologia oriental), imaginando um caminhar pela própria rua, tendo de se desviar do que vem ao seu encontro, tal como o fotógrafo. Para além deste diálogo corporal com o espaço, a fotografia de Tiago põe em evidência a possibilidade de estabelecermos um diálogo entre as diversas imagens apresentadas. Desta forma, esperamos que o visitante, neste labirinto de realidades, consiga criar um terceiro: um diálogo com a realidade que lhe apresentamos e que sirva para orientá-lo no mundo.

André Agostinho e Filipa Figueiredo – Curt’Arruda

TIAGO COSTA

(Arruda dos Vinhos, 1989)

Licenciado em Ciências da Comunicação pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas e Mestre em Gestão e Marketing pelo Instituto Superior de Economia e Gestão, tem trabalhado nas mais diversas áreas, com especial destaque para o Marketing e a Consultoria em IT.

O interesse por fotografar nasceu há cerca de três anos, após uma viagem pela República Checa, onde a máquina (emprestada), uma Canon AE-1, foi a sua companheira. Contudo, o gosto inato pela fotografia já figurava em conversas com amigos, assim como em algumas visitas intencionais a vários museus e exposições.