3ª EDIÇÃo

14, 15 e 16 de outubro, 2016

Estamos todos juntos. É essa a nossa curta-metragem. A arte de aproximar, de unir e partilhar. Estamos aqui. Para ver a realidade que nasceu de um sonho. Para nos vermos tal como somos. Para nos vermos tal como gostaríamos de ser. Para aprendermos a ser e a estar uns com os outros. Respeitando a diversidade, o desacordo. Diferentes, somos o mundo inteiro. Estamos juntos na aprendizagem da generosidade, da tolerância, da liberdade, do compromisso com o mundo.

Não estamos aqui para assistir. Não somos apenas espectadores. Estamos aqui porque queremos fazer parte da transformação, porque queremos acrescentar. Estamos aqui pelas perguntas: a arte não responde. Estamos aqui por nós. O mundo diz-se na primeira pessoa do plural. E o cinema diz o mundo.

Somos os matemáticos da imaginação. Somos os mágicos da realidade. Somos.

No cinema não temos idade, raça, nacionalidade; não temos fronteiras, muros, distâncias. Tudo é perto. Tudo está perto. Ser, estar, ver, sentir, ouvir, imaginar, reflectir, entender, questionar, saber, recordar, eis alguns verbos. E de verbos se faz a Acção. Move-se o mundo. Move-se a vida e a morte. Move-se o humano que somos e o desumano que há em nós. Move-se tudo. As vozes, os olhares, os silêncios, os sentimentos. Rimos e choramos. Existimos.

O cinema aproxima-nos do individuo e da colectividade; é uma forma comprometida de estar connosco e com o Outro. As imagens são um reflexo. O cinema não envelhece. Nos filmes somos sempre crianças. Porque o olhar é sempre de descoberta. Porque a inocência é a força dos sonhos, e sem eles nada vale a pena.

Estamos aqui mas não somos números. Cada um de nós tem um nome, uma vida, uma morte. Cada um de nós tem alegrias e tristezas, sonhos e pesadelos, frustrações e medos, memórias (boas e más). Cada um de nós é uma máquina de filmar. E uma máquina de filmar é um modo de ver. O cinema, pelo olhar, é um modo de interpretação da História, pessoal e universal.

Não somos números, mera álgebra de todos os esquecimentos, e não poucos enganos, mas não nos esquecemos da tabuada porque todos os filmes são uma homenagem à infância. Da vida, do Homem, do mundo. Estamos aqui porque gostamos de aprender a somar e a multiplicar. Não gostamos de fazer contas de diminuir. Não temos vocação para ensinar contas de dividir.

Estamos aqui. Somos comunidade. Língua nova em construção, alfabeto que vem primeiro do coração. Arruda: morada nascente de todos os afectos partilhados.

O cinema engrandece. As formas ganham uma vida maior, e as palavras oferecem aos corpos o sentido e a grandeza humilde que a alma procura.

Cinema são cinco sentidos. Cinema é estar aqui; é olhar à volta e para dentro. Cinema é o avesso da solidão.

Aqui: Arruda. Lugar de esplendor entre o novo e o velho, a modernidade e a tradição; lugar primordial onde ecoam as crenças, as superstições, as vozes antigas, a lentidão do passado e a voracidade do presente. Estamos a construir o futuro, esse vale encantado.

Estamos no campo do cinema. A ruralidade não existe, porém, sem o erro, o defeito, a maldade, a inveja e a mesquinhez, o abandono e as ruínas de tudo. Porque o mal não é uma falácia urbana. E o cinema também é feito para revelar o Homem em toda a sua miséria.

A todos os que criaram este festival, a todos os que o apoiaram, a todos os que lhe deram vida, devemos uma homenagem. Uma homenagem simples. A todos nós. Sem pedantismos. Sem ideias de grandeza. Sem glorificações. E que agora tudo possa começar, para que, como num espelho, surja o Homem, esse maravilhoso ardil.

Nelson Quintino

CICLO REALIZADOR CONVIDADo

Carlos Conceição

Carlos Conceição
© Jean Christophe Husson

Carlos Conceição nasceu em Angola e é licenciado em realização pela Escola Superior de Teatro e Cinema (2006). Anteriormente tinha-se licenciado em Inglês, com especialização em literatura do Romantismo (2002). Em 2005, começou a realizar videoclips musicais e video-arte, ao mesmo tempo que trabalhava com realizadores veteranos entre os quais João Canijo, João Pedro Rodrigues e José Fonseca e Costa. A sua primeira curta-metragem de ficção, CARNE, recebeu o prémio Novo Talento FNAC no IndieLisboa 2010. BOA NOITE CINDERELA estreou em competição na Semana da Crítica do Festival de Cannes em 2014, enquanto VERSAILLES competiu em Locarno, Vila do Conde e Mar Del Plata, entre outros, em 2013. Carlos Conceição foi protagonista, em Dezembro de 2014, de uma mostra integral na Cinemateca Francesa em Paris. O seu trabalho em curta-metragem está editado em DVD em França.

Neste momento está a terminar dois filmes novos, um deles uma longa-metragem, que terão estreia ao longo de 2017.

Júri

António Júlio Duarte

ANTÓNIO JÚLIO DUARTE

António Júlio Duarte nasceu em Lisboa em 1965.

Formado em fotografia na AR.CO, em Lisboa, estudou ainda no Royal College of Arts, em Londres e na ULHT/ECATI, Lisboa.

Expõe regularmente em Portugal e no estrangeiro desde 1990. Das suas mais recentes exposições individuais destacam-se: Suspension Of Disbelief no Centro de Artes Visuais, Coimbra, António Júlio Duarte na Galeria Pedro Alfacinha, Lisboa em 2016, Mercúrio, Galeria Zé dos Bois, Lisboa em 2015 e Japão 1997, Centro Cultural Vila Flor, Guima- rães em 2013. Das últimas exposições colectivas em que participou de- stacam-se: Edita: Secuencia / Sentido, Centro Galego de Arte Contem- poránea, Santiago de Compostela, Espanha, 2015 e Le Bal Books Week- end: Live Editing Show, 3e Édition du Festival du Livre de Photographie du Bal, Saison Portugaise, Le Bal, Paris, França, 2014.

É autor de vários livros de fotografia: East West (1995), Peepshow (1999), Lotus (2001), Agosto (2003). Em 2006 foi publicado pela ADIAC o livro António Júlio Duarte, uma recolha de projetos produzidos entre 1990 e 2005. Em 2011 publicou o livro White Noise (ed. Pierre Von Kleist) e o jornal The Candidate (ed. Ghost Editions). Em 2013 Deviation Of The Sun foi editado pelo Centro Cultural Vila Flor e em 2014 publicou Japan Drug (ed. Pierre Von Kleist).


É representado pela Galeria Pedro Alfacinha, Lisboa.

DAVID SANTOS

Historiador de arte e curador de arte moderna e contemporânea. Doutorado em Arte Contemporânea pelo Colégio das Artes da Universidade de Coimbra. É atualmente Subdiretor-Geral do Património Cultural e Curador-Geral da BF16 (Bienal de Fotografia / V.F. Xira). Foi Diretor do Museu do Neo-Realismo de 2007 a 2013 e Diretor do Museu Nacional de Arte Contemporânea – Museu do Chiado de dezembro de 2013 a julho de 2015. Autor de diversos estudos sobre arte publicados em catálogos e volumes coletivos, publicou ainda “Marcel Duchamp e o readymade – Une Sorte de Rendez-vous” (Assírio & Alvim, 2007) e “A Reinvenção do Real – Curadoria e Arte Contemporânea no Museu do Neo-Realismo”, (Documenta, 2014). Foi distinguido em 2015 com o Prémio (ex aequo) de Crítica e Ensaística de Arte e Arquitetura – AICA/Fundação Carmona e Costa, e ainda com o Prémio APOM de Investigação. Foi também do- cente convidado do ensino superior na Escola da Artes da Universidade Católica Portuguesa (2001-2004, Porto), na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (2015), e professor assistente na Escola Su- perior de Design do IADE, entre 1998 e 2009. Foi crítico de arte nos semanários “Já” (1996), “O Independente” (1997-2000), e nas revis- tas “Arte Ibérica” (1997-2000), “Artecapital.net” (2006-2007) e “Arqa – revista de arquitectura e arte” (2000-2013). É mestre em História Política e Social (Universidade Lusófona), pós-graduado em História de Arte e licenciado em História, variante de História de Arte, (ambos pela FCSH da Universidade Nova de Lisboa).

MIGUEL OLIVEIRA

Licenciado em Ciências da Comunicação pela Universidade Nova de Lis- boa, Miguel Oliveira é editor na SP Televisão desde 2007 e coordenador do departamento de Pós-produção da Procura há 3 anos. Dos projetos que editou para a SP Televisão destacam-se Laços de Sangue (vence- dor de um Emmy em 2011), Liberdade 21, Cidade Despida e Mar Salga- do. Em 2009 montou a curta-metragem “Assim Assim” do realizador Sérgio Graciano e, 2 anos mais tarde, o filme com o mesmo nome que estreou nas salas de cinema nacionais. Antes de dedicar-se à edição de ficção na SP Televisão e para outros produtores independentes, Miguel Oliveira esteve ligado durante 10 anos a inúmeros projetos de entreten- imento das produtoras D&D, Iniozimedia, Fremantle e Endemol.

SELEÇÃO OFICIAL CURT’ARRUDA

8 e 9 de agosto, 18h e 21h

CAMPO DE VÍBORAS – Cristèle Alves Meira, Portugal, 2016, fic. 20’ 14 de outubro, sex., 21h30
O ASSALTO – João Tempera, Portugal, 2015, fic. 15’ 14 de outubro, sex., 21h30
ATOPIA – Luís Azevedo e Alexandre Marinho Portugal, 2015, doc. 11’ 14 de outubro, sex., 21h30
ASCENSÃO – Pedro Peralta, Portugal, 2016, fic. 18’ 14 de outubro, sex., 21h30
O QUE RESTA – Jola Wieczorek, Portugal/Áustria, 2015, doc. 39’ 15 de outubro, sáb., 21h30
FLORESCER – Otilia Babara, Portugal, 2014, doc. 11’ 15 de outubro, sáb., 21h30
BALADA DE UM BATRÁQUIO – Leonor Teles, Portugal, 2016, doc. 11’ 15 de outubro, sáb., 21h30
DONA FÚNFIA – 1a Etapa da Volta a Portugal em Bicileta – Margarida Madeira, Portugal, 2015, ani. 6’ 16 de outubro, dom., 18h30
BERLENGA GRANDE – Vitor Carvalho, Portugal, 2014, doc. 28’ 16 de outubro, dom., 18h30
RAIMUNDO – Paulo Abreu, Portugal, 2015, doc. 28’ 16 de outubro, dom., 18h30

SELEÇÃO OFICIAL Film’ARRUDA

14 de outubro, 18h30

FRAGMENTOS DE UM SONHO – Pedro Oliveira, Portugal, 2016, fic. 6’ 14 de outubro, sex., 18h30
A BRUXA D’ARRUDA – Rui Vieira e Helder Rodrigues Portugal, 2016, fic. 11’ 14 de outubro, sex., 18h30

mostra

2 de outubro, 16h30 e 18h30

O TRÍPTICO DA ÁGUA – Rodolfo Silveira Portugal/Alemanha, 2015, doc/fic. 21’ 14 de outubro, sex., 16h30
ONE DAY OF RAIN – Ágnes Gyorfi, Portugal, 2015, ani. 3’ 14 de outubro, sex., 16h30
AN ORIGINAL CLICHÉ – Inês Carvalho, Portugal, 2015, ani. 4’ 15 de outubro, sáb., 18h30
IRENE – Otilia Babara, Hungria/Moldávia, 2015, fic. 9’ 14 de outubro, sex., 18h30
ÉPOCA BAIXA – Jola Wieczorek, Portugal/Áustria, 2013, doc. 7’ 14 de outubro, sex., 18h30
O REBOCADOR – Jorge Cramez, Portugal, 2013, fic. 15’ 14 de outubro, sex., 18h30
OOBE – Joana Maria Sousa e Manuel Carneiro Portugal, 2015, fic. 7’ 14 de outubro, sex., 16h30
CASA DA QUINA – Arya Rothe, Portugal, 2015, doc. 9’ 14 de outubro, sex., 18h30
AFRODITE – Gonçalo Nobre de Almeida, Portugal, 2015, fic. 10’ 15 de outubro, sáb., 18h30
TINY LITTLE DELICATE FOREIGN CASTLES – Rob Key, Portugal, 2013, doc. 11’ 15 de outubro, sáb., 18h30
LUX – Bernardo Lopes e Inês Malveiro, Portugal, 2015, fic. 11’ 15 de outubro, sáb., 18h30
PERTO – José Retré, Portugal, 2013, fic. 15’ 15 de outubro, sáb., 18h30
RED – Márcia Mauricio e Mariana Amaral Portugal, 2015, ani. 5’, 16 de outubro, dom., 16h30
PROVAS, EXORCISMOS – Susana Nobre, Portugal, 2015, fic. 4’, 16 de outubro, dom., 16h30
14 ANOS E UM DIA – Lucia Alemany, Espanha, 2015, fic. 18’ 16 de outubro, dom., 16h30
OUTUBRO ACABOU – Karem Akerman e Miguel Seabra Lopes, Portugal/Brasil, 2015, fic. 24’ 16 de outubro, dom., 16h30

concertos

Latas no Campo

Em parceria com Imagerie – Casa das Imagens