Latas no Campo 2016


Em parceria com Imagerie – Casa das Imagens

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20 segundos


Exposição Coletiva de Fotografia Pinhole

Curadoria: João Pedro Cavaco e Filipa Figueiredo

Sem tempo, não existe nem cinema, nem fotografia. O tempo, que une a sétima arte ao desenho com luz, regista um momento, uma memória e uma duração. No cinema, o tempo de duração é evidente, cada plano resulta do tempo da ação que é depois reproduzido numa sala escura para o espectador. A fotografia cristaliza esse mesmo tempo de duração da ação, estaticamente, num objeto.

Na fotografia, a sala escura é designada de Câmera Obscura, um compartimento totalmente estanque à luz, que se encontra em todos os dispositivos fotográficos desde a sua invenção. Imagine-se uma sala de projeção de filmes em ponto pequeno: o projetor é o sol; o foco e o diafragma, que permitem a entrada de luz no espaço, traduzem-se num pequeno orifício; e por m, a tela, é o papel fotossensível, que devido aos sais de prata (sensíveis à luminosidade) nele presentes, regista a imagem projetada pela luz, numa escala de tons que vai do preto ao branco.

Esta descrição traduz o processo que ocorre dentro de uma câmera pinhole. Um dispositivo através do qual é possível registar uma imagem, bastando apenas retirar uma partilha, que permite a luz solar atravessar pelo pequeno orifício que projeta a imagem a ser puxada numa superfície fotossensível colocada na superfície oposta.

Esta exposição reúne uma seleção de fotografias realizadas por diferentes autores que participaram no evento de fotografia estenopeica “Latas no Campo”, uma parceria do Curt’Arruda com a Imagerie-Casa das Imagens. Várias latas, transformadas em câmeras pinhole, foram espalhadas por Arruda dos Vinhos, provocando e confrontando as pessoas, não apenas com o objeto incomum, como também, a realizar uma fotografia com este processo invulgar.

Cada fotografia é uma consequência de um encontro (esperado ou inesperado) do indivíduo com a lata, da descoberta ocasional, e da criatividade e sensibilidade do fotógrafo. É um registo da memória individual de cada um dos participantes, enfatizada pelo tempo de espera para a que a fotografia que feita: as arcadas de um hospital, a folhagem das árvores, autorretratos, casais que se abraçam, amigos que se juntam, crianças irrequietas, locais icónicos, experimentações e espreitadelas para o interior das latas, são ensaios singulares e pessoais, que se juntos compõem a memória coletiva da vila.

20 segundos, foi o tempo mínimo que cada pessoa registou (n)a sua memória.

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