(DES)ENCONTRÓTOPIA


Tiago Costa
15 de setembro – 15 de outubro 2018

É com enorme prazer que o Curt’Arruda volta a apresentar uma exposição de fotografia, desta vez com uma proposta mais arrojada. Apostamos num fotógrafo amador de Arruda dos Vinhos, Tiago Costa, e concretizamos nesta edição a sua primeira exposição individual.

“O desconhecido é o que não tem, ainda, uma imagem.”

Bernardo Pinto de Almeida

(DES)ENCONTRÓTOPIA leva-nos por diversas geografias do mundo, num movimento constante de aproximação a pessoas que na sua vida quotidiana nos guiam, e com as quais nos (des)encontramos nesta viagem.

Tiago Costa apodera-se da rua, toma-a como um espaço de liberdade e deixa-se levar pelos múltiplos caminhos de (des)encontros que ela lhe oferece. É um fotógrafo em, e à procura do movimento. É nesta procura que a fotografia nos permite uma aproximação ao outro, dando-nos a conhecer pormenores da sociedade que de outra forma continuariam invisíveis. Neste movimento incessante, toma lugar uma infinita arbitrariedade no olhar do fotógrafo, pois são muitos os instantes e os acasos possíveis. Estes (des)encontros fortuitos não chegam a permitir a natural artificialidade causada pela simples presença da câmara fotográfica. São milésimos de segundo que nos dão a experiência e a vivência do mundo real.

A grande maioria das fotografias apresentadas nesta exposição foram registadas em viagens de férias. Tiago Costa interessa-se especialmente por documentar os acontecimentos da vida social de pessoas que parecem pertencer a um outro mundo, que “pararam no tempo”, pessoas excêntricas ou marginais. Esta temática tem uma longa tradição na história da fotografia e evoca nomes como Richard Sandler, William Klein (na sua forma e atitude “in your face”), Robert Frank ou Diane Arbus. Mas quem são estas pessoas e para onde vamos com elas? Essa dúvida e estranheza associadas, em (DES)ENCONTRÓTOPIA, causam um certo incómodo e um constante questionar sobre os momentos que antecedem e precedem a captura dessa realidade pelo obturador. Há no trabalho de Tiago um descontruir do conceito utópico de “fotografia de férias”. Não lhe interessam os lugares bonitos ou as fotografias “cliché”, mas sim a realidade social dos locais que visita, locais muitas vezes degradados, talvez distópicos.

Na tentativa de trazer toda esta ideia de estranheza, de aproximação, de movimento e (des)encontro com o outro, propomos que o visitante percorra o espaço expositivo, disposto de forma labiríntica com paredes de canas, (elemento protector segundo a simbologia oriental), imaginando um caminhar pela própria rua, tendo de se desviar do que vem ao seu encontro, tal como o fotógrafo. Para além deste diálogo corporal com o espaço, a fotografia de Tiago põe em evidência a possibilidade de estabelecermos um diálogo entre as diversas imagens apresentadas. Desta forma, esperamos que o visitante, neste labirinto de realidades, consiga criar um terceiro: um diálogo com a realidade que lhe apresentamos e que sirva para orientá-lo no mundo.

André Agostinho e Filipa Figueiredo Curt’Arruda

TIAGO COSTA

(Arruda dos Vinhos, 1989)

Licenciado em Ciências da Comunicação pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas e Mestre em Gestão e Marketing pelo Instituto Superior de Economia e Gestão, tem trabalhado nas mais diversas áreas, com especial destaque para o Marketing e a Consultoria em IT.

O interesse por fotografar nasceu há cerca de três anos, após uma viagem pela República Checa, onde a máquina (emprestada), uma Canon AE-1, foi a sua companheira. Contudo, o gosto inato pela fotografia já figurava em conversas com amigos, assim como em algumas visitas intencionais a vários museus e exposições.

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