3ª Edição


14, 15 e 16 de Outubro, 2016

Latas no Campo


Em parceria com Imagerie – Casa das Imagens

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20 segundos


Exposição Coletiva de Fotografia Pinhole

Curadoria: João Pedro Cavaco e Filipa Figueiredo

Sem tempo, não existe nem cinema, nem fotografia. O tempo, que une a sétima arte ao desenho com luz, regista um momento, uma memória e uma duração. No cinema, o tempo de duração é evidente, cada plano resulta do tempo da ação que é depois reproduzido numa sala escura para o espectador. A fotografia cristaliza esse mesmo tempo de duração da ação, estaticamente, num objeto.

Na fotografia, a sala escura é designada de Câmera Obscura, um compartimento totalmente estanque à luz, que se encontra em todos os dispositivos fotográficos desde a sua invenção. Imagine-se uma sala de projeção de filmes em ponto pequeno: o projetor é o sol; o foco e o diafragma, que permitem a entrada de luz no espaço, traduzem-se num pequeno orifício; e por m, a tela, é o papel fotossensível, que devido aos sais de prata (sensíveis à luminosidade) nele presentes, regista a imagem projetada pela luz, numa escala de tons que vai do preto ao branco.

Esta descrição traduz o processo que ocorre dentro de uma câmera pinhole. Um dispositivo através do qual é possível registar uma imagem, bastando apenas retirar uma partilha, que permite a luz solar atravessar pelo pequeno orifício que projeta a imagem a ser puxada numa superfície fotossensível colocada na superfície oposta.

Esta exposição reúne uma seleção de fotografias realizadas por diferentes autores que participaram no evento de fotografia estenopeica “Latas no Campo”, uma parceria do Curt’Arruda com a Imagerie-Casa das Imagens. Várias latas, transformadas em câmeras pinhole, foram espalhadas por Arruda dos Vinhos, provocando e confrontando as pessoas, não apenas com o objeto incomum, como também, a realizar uma fotografia com este processo invulgar.

Cada fotografia é uma consequência de um encontro (esperado ou inesperado) do indivíduo com a lata, da descoberta ocasional, e da criatividade e sensibilidade do fotógrafo. É um registo da memória individual de cada um dos participantes, enfatizada pelo tempo de espera para a que a fotografia que feita: as arcadas de um hospital, a folhagem das árvores, autorretratos, casais que se abraçam, amigos que se juntam, crianças irrequietas, locais icónicos, experimentações e espreitadelas para o interior das latas, são ensaios singulares e pessoais, que se juntos compõem a memória coletiva da vila.

20 segundos, foi o tempo mínimo que cada pessoa registou (n)a sua memória.

Texto de catálogo


Estamos todos juntos. É essa a nossa curta-metragem. A arte de aproximar, de unir e partilhar. Estamos aqui. Para ver a realidade que nasceu de um sonho. Para nos vermos tal como somos. Para nos vermos tal como gostaríamos de ser. Para aprendermos a ser e a estar uns com os outros. Respeitando a diversidade, o desacordo. Diferentes, somos o mundo inteiro. Estamos juntos na aprendizagem da generosidade, da tolerância, da liberdade, do compromisso com o mundo.

Não estamos aqui para assistir. Não somos apenas espectadores. Estamos aqui porque queremos fazer parte da transformação, porque queremos acrescentar. Estamos aqui pelas perguntas: a arte não responde. Estamos aqui por nós. O mundo diz-se na primeira pessoa do plural. E o cinema diz o mundo.

Somos os matemáticos da imaginação. Somos os mágicos da realidade. Somos.

No cinema não temos idade, raça, nacionalidade; não temos fronteiras, muros, distâncias. Tudo é perto. Tudo está perto. Ser, estar, ver, sentir, ouvir, imaginar, reflectir, entender, questionar, saber, recordar, eis alguns verbos. E de verbos se faz a Acção. Move-se o mundo. Move-se a vida e a morte. Move-se o humano que somos e o desumano que há em nós. Move-se tudo. As vozes, os olhares, os silêncios, os sentimentos. Rimos e choramos. Existimos.

O cinema aproxima-nos do individuo e da colectividade; é uma forma comprometida de estar connosco e com o Outro. As imagens são um reflexo. O cinema não envelhece. Nos filmes somos sempre crianças. Porque o olhar é sempre de descoberta. Porque a inocência é a força dos sonhos, e sem eles nada vale a pena.

Estamos aqui mas não somos números. Cada um de nós tem um nome, uma vida, uma morte. Cada um de nós tem alegrias e tristezas, sonhos e pesadelos, frustrações e medos, memórias (boas e más). Cada um de nós é uma máquina de filmar. E uma máquina de filmar é um modo de ver. O cinema, pelo olhar, é um modo de interpretação da História, pessoal e universal.

Não somos números, mera álgebra de todos os esquecimentos, e não poucos enganos, mas não nos esquecemos da tabuada porque todos os filmes são uma homenagem à infância. Da vida, do Homem, do mundo. Estamos aqui porque gostamos de aprender a somar e a multiplicar. Não gostamos de fazer contas de diminuir. Não temos vocação para ensinar contas de dividir.

Estamos aqui. Somos comunidade. Língua nova em construção, alfabeto que vem primeiro do coração. Arruda: morada nascente de todos os afectos partilhados.

O cinema engrandece. As formas ganham uma vida maior, e as palavras oferecem aos corpos o sentido e a grandeza humilde que a alma procura.

Cinema são cinco sentidos. Cinema é estar aqui; é olhar à volta e para dentro. Cinema é o avesso da solidão.

Aqui: Arruda. Lugar de esplendor entre o novo e o velho, a modernidade e a tradição; lugar primordial onde ecoam as crenças, as superstições, as vozes antigas, a lentidão do passado e a voracidade do presente. Estamos a construir o futuro, esse vale encantado.

Estamos no campo do cinema. A ruralidade não existe, porém, sem o erro, o defeito, a maldade, a inveja e a mesquinhez, o abandono e as ruínas de tudo. Porque o mal não é uma falácia urbana. E o cinema também é feito para revelar o Homem em toda a sua miséria.

A todos os que criaram este festival, a todos os que o apoiaram, a todos os que lhe deram vida, devemos uma homenagem. Uma homenagem simples. A todos nós. Sem pedantismos. Sem ideias de grandeza. Sem glorificações. E que agora tudo possa começar, para que, como num espelho, surja o Homem, esse maravilhoso ardil.

Nelson Quintino

Realizador Convidado


Júri


Carlos Conceição

Carlos Conceição

David Santos

David Santos

António Júlio Duarte

António Júlio Duarte

Miguel Oliveira

Miguel Oliveira

Filmes Vencedores


Equipa Curt’Arruda 2016


Organização

Câmara Municipal de Arruda dos Vinhos

Direção

André Agostinho

Joel Rodrigues

Tesouraria e Contabilidade

Joana Ricardo

Programação

André Agostinho

Joel Rodrigues

João Pedro Cavaco

Direção Técnica

Joel Rodrigues

Direção Artística

André Agostinho

Comunicação

André Agostinho

Filipa Figueiredo

Joana Ricardo

João Pedro Cavaco

Joel Rodrigues

Coordenação de Voluntários

Tânia Serreira

Website

Rodolfo Rodrigues

Design

André Agostinho

João Pedro Cavaco

Ilustração

Ana Margarida Mouralinho

Decoração

João Pedro Cavaco

Exposição

Filipa Figueiredo

João Pedro Cavaco

Reportagem

Filipa Figueiredo

Cláudia Teodoro

João Pedro Cavaco

Coordenação de Sala

Lara Almeida

Montagem

Diogo Bruno

João Gama

Saúl Silva

Merchandising

Cátia Francisco

Joana Ricardo

Relações Públicas

Ana Raquel Machado

Spot

André Agostinho

Joel Rodrigues

Apoio à Produção

Augusto Salgueiro

Telmo Lopes

Voluntários

Ana Maria Ramos

Ana Maria Serreira

Anabela Matos

André Pombo

Carolina Ribeiro

Celeste Rodrigues

Célia Martins

Flávio Menino

Guilherme Duarte

Inês Caixeiro

Inês Hipólito

Jorge Francisco

Rui Correia

Tatiana Carvalho

Galeria de Imagens


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